CARREIRAS EM ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS: PERCURSOS PRESENTES PARA UM FUTURO POSSÍVEL

por César R. Canova



No dia 7 de maio de 2021, a Youth Climate Leaders (YCL) propôs mais um passo rumo à missão da rede, por meio de um Lab sobre oportunidades para jovens interessados em trabalhar na Organização das Nações Unidas (ONU). Ao abordar o tema “Carreiras na ONU”, a proposta ganhou dois enfoques: (a) como tratar de nossas carreiras, e; (b) como conhecer mais sobre a ONU. Para tanto, a mentora e palestrante doutora Marianna Albuquerque falou a partir de sua própria experiência, indicando de maneira didática os vários ramos de um percurso possível.


Como sugestões para jovens que buscam carreiras em entidades com ampla atuação, Marianna recomenda discernimento e foco. Em primeiro lugar, é preciso entender que há muitas organizações – inclusive dentro da própria ONU –, cada uma com um enfoque particular. Se o interesse do jovem estiver em questões de patrimônio, por exemplo, será mais interessante enfocar estudos a respeito da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que sobre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), embora seja essencial compreender o funcionamento e a história da ONU como um todo. No meu caso, o interesse está relacionado, há alguns anos, à ONU-Habitat.


Desde 2007, pesquiso habitação social e sustentabilidade, colaborando na organização de congressos nacionais e internacionais e na publicação de artigos científicos. Nesse meio, tive contato com as ações de fundações internacionais – como a IFHP –, de departamentos do governo municipal de Porto Alegre (RS, Brasil) e da ONU-Habitat em países subdesenvolvidos. Este ano, defendo minha tese de doutorado a respeito desses temas, sob um enfoque mais prático voltado para o projeto de conjuntos habitacionais socialmente sustentáveis em meio urbano.


Nesse sentido, as colocações de Marianna pareceram reforçar algumas de minhas próprias crenças. Para tratar de nossas carreiras – especialmente das carreiras sobre o clima – devemos ser curiosos, para discernirmos o caminho que queremos e o que não queremos perseguir, isto é, o que queremos fazer e onde queremos atuar. Especialmente neste século, temos de ser profissionais-pesquisadores, constantemente atualizados sobre os temas que envolvem o clima, ou outros assuntos de interesse; só então podemos definir um foco. Por isso, para conhecer mais sobre as possibilidades de atuação frente às mudanças climáticas, convém nos mantermos em rede, sempre de olho nos conteúdos, nos cursos e nas oportunidades ofertadas pela Youth Climate Leaders, por exemplo.


Sobre a atuação em redes, Marianna menciona sua participação em dois think-tanks (CEBRI – Centro Brasileiro de Relações Internacionais – e CBC – Centro Brasil no Clima) como um bom meio de ampliar o conhecimento dos jovens e, em seu caso particular, realizar pesquisas sobre Política Internacional. Fica também intrínseco o entendimento de que o contato com pessoas de diversas formações pode ajudar o jovem a discernir sua própria carreira. Além disso, “quanto mais cedo o jovem tiver contato com a formação necessária, mais cedo estará perto de uma carreira na ONU”, conforme ponderou Marianna. É claro que há habilidades que podem ser desenvolvidas durante esse discernimento, nomeadamente a essencial fluência em idiomas estrangeiros; também deve-se dizer que não existe idade para começar. Entretanto, para dar início à formação dos mais de trinta jovens participantes desse YCLAB, Marianna procedeu sua fala sobre a ONU, tratando da história e da estrutura de funcionamento dessa Organização Internacional. De sua fala, alguns pontos cabem ser, brevemente, destacados.


“Organizações Internacionais” são uma forma de relação entre os Estados, assim como a diplomacia, com a diferença de estarem institucionalizadas e voltadas para o futuro. Essa noção decorre de acontecimentos relevantes, passados ou presentes, que funcionam como estopim para o nascimento de boa parte – senão de todas – as organizações internacionais. Para entender a ONU, especificamente, é fundamental abordar o momento de sua criação. Ao compreendermos o que havia antes dos tratados propostos pela ONU e assinados pelos Estados-membros, torna-se possível elaborar a retórica que compara a realidade atual com alternativas menos pacíficas. Em outras palavras, é possível reconhecer, a partir da fala da doutora Marianna, os inúmeros benefícios das organizações internacionais, ainda que se possam constatar pontos a melhorar nesse tipo de relação entre os Estados.


A extensa e rica aula proferida por Marianna trouxe ainda como contributo a indicação dos textos de Eugênio Garcia para maior aprofundamento. Além disso, sua menção a Bertha Lutz acendeu a curiosidade dos participantes, somada a uma indignação interna por não haver homenagens suficientes à atuação dessa mulher brasileira no âmbito internacional. Para que o Brasil siga sendo berço de mentes capazes, braços fortes e pernas a caminho, Marianna dedicou boa parte do YCLAB a indicar websites e oportunidades sobre carreiras dentro da ONU, bem como a responder as perguntas dos participantes e agradecer os merecidos elogios.


Em suma, uma carreira climática exige que coloquemos nossa vontade em ações práticas, e os YCLAB certamente colaboram para isso. Como um médico que indica o melhor caminho para a recuperação da saúde, organizações internacionais e redes focadas na missão sustentável – como a YCL – são capazes de mostrar os horizontes para um futuro melhor. Depende de nós, jovens, fazer esse futuro acontecer.



Sobre o autor: César Renato Canova é arquiteto e urbanista (PUCRS, Brasil), pesquisador associado do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba (Brasil), membro colaborador do Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design da FA-ULisboa (Portugal) e Coordenador das Relações de Pesquisa da rede e-DAU, além de se aventurar na poesia e na música.

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SOBRE OS YCLABs: Laboratórios de prática para aprofundar temas específicos relacionados à agenda climática, co-criados pelo YCL, membros da Rede e organizações parceiras. Nossos YCLABs são curados de forma cuidadosa para que os participantes possam conhecer a rotina de um profissional do clima, ao mesmo tempo que se conecta e troca experiências com outros jovens profissionais da área, com o time YCL e os palestrantes. Saiba mais.

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