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PEOPLE HAVE THE POWER: As mudanças climáticas no nosso cotidiano


Em crescente destaque, o assunto das mudanças climáticas tem tomado o debate na mídia, na política e nas conversas corriqueiras. A elevação da temperatura do Planeta Terra vem acontecendo concomitantemente à expansão industrial, que tem sua matriz energética baseada em combustíveis fósseis como a gasolina, o óleo diesel e o carvão.

A elevação da temperatura é resultante da emissão de gases de efeito estufa – GEE, a exemplo do dióxido de carbono e do óxido nitroso, que são liberados na queima dos combustíveis fósseis. A questão é que essas emissões estão nos bens e serviços que consumimos diariamente no mundo todo. As emissões estão nos meios de transporte, na energia elétrica, na alimentação, no aquecimento e refrigeração de casas e alimentos e na produção de cosméticos, alimentos, químicos, construções e plásticos em geral.

A emissão de GEE tem causado o aumento da temperatura do Planeta Terra. Esse aumento já chega a 1,07ºC, e cientistas têm feito um comparativo dos impactos de cenários de aumento de 1,5ºC e 2ºC na temperatura do planeta. Segundo pesquisadores, o calor extremo, o degelo do Ártico, o aumento do nível do mar, a extinção da biodiversidade, a redução da produção de alimentos, os impactos na saúde humana, a escassez de água potável, as inundações e secas, já acometem nosso planeta e quanto maior a temperatura, piores serão estes impactos.

Como eu posso estar mais atentx às questões climáticas?

No nosso dia a dia adotamos uma série de atitudes não sustentáveis e danosas ao meio ambiente. Um primeiro passo para entendermos nosso impacto é com o uso da Calculadora de CO2, por exemplo, que mostra quantas árvores teríamos de plantar para compensação de nossas atividades durante um ano. Há ainda a Calculadora da Pegada de Plástico, que mede nosso consumo de plásticos em situações cotidianas, como no banho, na lavagem de roupas, na alimentação (...). Ambas as calculadoras comparam nosso consumo com médias mundiais e mostram o quanto estamos adequados ao consumo sustentável ou não.

A questão climática é uma interligação de fatores econômicos, sociais e ambientais, portanto, não possui uma única solução. Neste sentido, pandemia do Covid- 19, por exemplo, que tem sido atribuída aos crimes ambientais, mostra a interligação dos elementos. A vulnerabilidade humana em relação aos vírus, a desigualdade de gênero na multiplicação de atividades para as mulheres, a questão racial do perfil dos mais afetados pela pandemia e os danos econômicos, exemplificam o encadeamento dos fatores.

É importante que nosso discurso de esperança quanto ao futuro esteja atrelado a atitudes concretas e que sejam postas em prática imediatamente. Como protagonistas que somos em nossas vidas, precisamos ser mais enfáticos quanto às mudanças climáticas e não depositar todas as decisões somente nas mãos de governistas e grandes empresários.

Alguns governistas e grandes empresários recorrem às práticas de greenwashing para mostrarem-se sensibilizados às questões climáticas. O greenwashing é uma estratégia de discurso e propagandas que utiliza expressões como “100% natural,” contudo, a empresa pode ser uma grande poluidora, por exemplo. Falas como qualidade verde, green, eco, amigo do ambiente, saudável e vegan, também são usadas para omitir práticas ruins das mesmas empresas.

Com o olhar apurado e com a maior divulgação de informações sobre práticas não-sustentáveis das empresas, a moralidade quanto à proteção ambiental toma uma dimensão cada vez maior na ética e na estrutura de receitas das empresas. Nós, consumidores, por meio das nossas novas práticas de consumo, podemos influenciar as empresas para que tenham novos métodos de produção e que incluam o Environment, Socialand Governance - ESG como práticas internas.

Por meio da percepção ambiental dos consumidores, as empresas sentem-se obrigadas a mudarem suas matrizes energéticas e a investirem em pesquisas para o desenvolvimento de novas embalagens e processos de produção mais sustentáveis. Assim, gera-se novos produtos, novas cadeias de descarte, de reciclagem e reorganiza-se novas atividades econômicas. O somatório das mudanças que podemos estimular no nosso dia a dia é relevante para a proteção do Planeta Terra.

Como posso diminuir o meu impacto no meio ambiente?!

Podemos realizar a diminuição dos impactos negativos no meio ambiente por meio da separação de resíduos, do consumo de alimentos, dos transportes, dos cosméticos, dos microplásticos, das novas formas de consumo, da imaginação, do protagonismo e do comportamento coletivo. Um dos primeiros passos é tornar as mudanças climáticas uma questão pessoal, um guia de vida e incorporar agora hábitos sustentáveis que ontem não fazíamos.

O primeiro destes hábitos é a separação correta de resíduos, porém, é pertinente que diminuamos o consumo de plásticos de uso único. Estes utilizam energia não- renovável na sua produção e, nenhuma cidade, apesar de terem o serviço de coleta seletiva, faz esta atividade corretamente. A média de reciclagem no Brasil, por exemplo, apesar do potencial de 30%, recicla somente 3%! Porto Alegre, a segunda capital em maior número de habitantes do sul do Brasil, recicla somente 4,5%.

Quanto à alimentação, produtos que consomem muita energia e água na produção, como carne vermelha, arroz branco e produtos industrializados, devem ser evitados. Além disso, tem-se mostrado que as queimadas e o desmatamento que ocorrem na Amazônia, Cerrado e Pantanal, são para a criação extensiva do chamado gado para corte e para o plantio de soja. Ambos são parte de um ciclo ambientalmente destrutivo, socialmente explorador e altamente concentrador de renda e terras.

Produtos de pecuária regenerativa e de agricultura biodinâmica são soluções para o modelo extensivo. O crescente mercado de proteínas de plantas e de alimentos de produção local, também mostram-se como opções para substituição do modelo atual, porque gera renda para a região e diminui a poluição na produção e no transporte das mercadorias.

Em relação ao transporte, a utilização de combustíveis fósseis nos carros, motos e ônibus deve ser substituída por alternativas como motores elétricos. Contudo, o preço ainda é elevado, assim as cidades de 15 minutos, veículos elétricos compartilhados e aplicativos de carona podem ser soluções. Quanto ao aumento do comércio digital, é interessante adquirir produtos de empresas que estejam modificando a matriz energética dos veículos que fazem suas entregas para um transporte mais limpo.

No que se refere aos cosméticos, a substituição por biocosméticos é apropriada. Eles usam ingredientes naturais, geram renda à pequena produção, não poluem a água e utilizam menos energia na sua produção. Além disso, podemos trocar os cosméticos líquidos por formas sólidas, que poupam água na produção, não utilizam plástico e ocupam menos espaço para o transporte. É pertinente lembrar que os biocosméticos não submetem os animais às atrocidades dos testes em laboratórios.

Há ainda a questão dos microplásticos, que são o principal poluente dos oceanos e interferem em disfunções hormonais, neurológicas e imunológicas de todos os seres vivos. Eles são encontrados nas esponjas de cozinha, nos cremes esfoliantes, nas fibras de tecidos como o poliéster, nas tintas de látex, nas esponjas de louça, nas sacolas plásticas e nos glitters. Com a quantidade já descartada, descobriu-se microplásticos nas profundezas marítimas e nos intestinos de peixes de diversos tamanhos, resultando na contaminação da cadeia alimentar.

Quanto às formas de consumo, há alternativas viáveis que geram renda e comércio e não causam os impactos negativos como o modelo vigente. Pode-se optar por modelos como o consumo consciente, a economia circular, a economia virtual e a economia criativa, que fazem parte de um capitalismo sustentável e consciente.

Em relação à imaginação, é importante conseguirmos visualizar o modelo de mundo que queremos para os próximos anos. Como serão nossas formas de consumo, como serão tratadas as questões das desigualdades, como estará o meio ambiente, dentre outros indagações. A imaginação norteia o nosso caminho, torna estratégico o cumprimento das metas para alcançar o objetivo deste mundo melhor.

Para manter a temperatura do Planeta Terra com até 1,5ºC de elevação em 2030, precisaremos trilhar um caminho diferente do atual. É necessária a transição visando à sustentabilidade, como as energias limpas, os prédios equipados de jardins verticais, os bolsões de florestas em áreas urbanas, o menor uso de plásticos, a recuperação em larga escala de áreas degradadas e a mudança do modo de produção dos alimentos.

Mudar nossos hábitos que impactem de forma negativa o meio ambiente, é uma das formas mais eficazes para solução da questão climática. Executar nossa autonomia, sermos protagonistas e nos informarmos corretamente, são munições poderosas para um mundo que necessita de grandes ideias e soluções.

A expansão da sociedade de consumo gerou um comportamento individualista e nos moldou, ao longo do último século, para uma lógica de desperdício e de constante descarte de sua produção, em vista de manter o consumo em atividade. Atualmente passamos por uma crise climática com consequências catastróficas. Somente quem criou toda esta instabilidade é que poderá regulá-la. Por isto, é pertinente que pensemos na transição para novos hábitos.

Nos manteremos consumidores de produtos tóxicos e poluentes? Deixaremos as decisões para políticos e grandes empresários? Podemos começar agora, criando hábitos sustentáveis, comprando de comerciantes locais, imaginando um mundo sustentável (...) e assim contribuirmos para a reinvenção do comportamento coletivo.

Não se esqueça, qualquer mudança, por menor que seja, começa por cada um de nós, afinal, PEOPLE HAVE THE POWER!


Sobre o autor: Julio Matheus Donato

Sou gaúcho, fã de Saramago, Érico Veríssimo e Kafka, pôr do sol, bike e de café. Serei um eterno graduando de Economia, sou especialista em Ciência de Dados, mestre em Políticas Públicas, e um fellow fã do YCL.


De resto, só sei que nada sei.




Julio Matheus Donato participou da 6ª edição do Curso YCL no segundo semestre de 2021 como bolsista. As referências e opiniões expressas no artigo são de responsabilidade do autor.

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